30 de setembro de 2012

30 de Setembro de 1897, quinta-feira, último dia de Santa Teresinha na terra e início de sua glória no Céu!

Pe. Ascânio Brandão
Livro de 1936 - 214 págs


“... este livrinho, ligeiro estudo de algumas faces apenas da rica espiritualidade da Santinha. Em forma de novena é mais piedoso e mais acessível. Obriga a rezar e a meditar. Não deveis ler superficialmente estas páginas, meus leitores. Meditai-as. E que as pétalas de rosas dos pensamentos de Santa Teresinha embalsamem, cada dia, os vossos pensamentos.”
Pe. Ascânio Brandão



ÍNDICE


Novena a Sta. Teresinha
Meditação I
A missão de Sta. Teresinha
Meditação II
A via comum de santidade
Meditação III
Como entrar na via da infância espiritual
Meditação IV
A prática do amor na via da infância espiritual
Meditação V
O amor do próximo na via da infância espiritual
Meditação VI
A fé e a confiança na via da infanda espiritual
Meditação VII
A humildade o simplicidade na via da infância espiritual
Meditação VIII
O abandono na via da infância espiritual e o Ascensor divin
Meditação IX
O espírito de oração na via da infância espiritual e o serafim de Lisieux
Pensamentos de Santa Teresinha
para cada dia do ano
Janeiro
Fevereiro
Março 
Abril
Maio
Junho
Julho
Agospo
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro


~ * ~ * ~ 
Últimas Horas de Santa Teresinha
Para terminarmos e mostrar como ela edificava todos os que a rodeavam até no último momento de sua vida, traduzimos aqui o relato do seu último dia na terra, numa quinta-feira do dia 30 de setembro de 1897, feito pela irmã Inês de Jesus:
Durante a manhã eu (irmã Inês) a (Santa Terezinha) vigiava durante a Missa. Ela não me dizia nada. Ela estava esgotada, ofegante; seus sofrimentos, eu presumia, eram inexprimíveis. Num determinado momento, ela juntou as mãos e olhando à estátua da Virgem Maria disse:
- Oh! Eu rezei a ela com grande fervor! Mas é uma agonia pura, sem mistura alguma de consolação.
Eu lhe disse algumas palavras de compaixão e de afeição e acrescentava que ela tinha bem me edificado durante sua convalescência.
- E você, as consolações que tinha me dado! Ah! Como elas são enormes!
Durante todo o dia, sem um instante de trégua, ela permaneceu, podemos dizer sem exageros, sob verdadeiros tormentos. Ela parecia estar no fim de suas forças e, todavia, para nosso espanto, ela podia se mexer, se sentar no seu leito.
- …Veja, nos dizia ela, como tenho forças hoje! Não, eu não vou morrer! Eu ainda tenho forças por vários meses, talvez até mesmo vários anos!
E se o bom Deus o quisesse, diz a Nossa Madre, você o aceitaria?
Ela começou a responder, na sua agonia:
- Seria bem necessário…
Mas se corrigindo na mesma hora, ela diz com um tom de resignação sublime e caindo novamente sobre seu travesseiro:
- Eu quero com certeza!
Eu pude recolher essas exclamações, mas é bem difícil de transmitir o seu tom:
- Eu não creio mais na morte para mim… Eu creio apenas no sofrimento… melhor assim!
- Ó meu Deus!… Eu amo o bom Deus! O minha boa Virgem Maria, venha em meu socorro!
- Se isso é a agonia, o que é então a morte?!…
- Ah! Meu bom Deus!… Sim, ele é muito bom, eu o vejo muito bom…
E olhando para a Virgem Maria:
- Oh! A senhora sabe que estou me sufocando!
Para mim:
- Se você soubesse o que é se sufocar!
O bom Deus vai ajudá-la, minha pobrezinha, e terminará logo mais.
- Sim, mas quando?
- …Meu Deus, tenha piedade de vossa pobre menina! Tenha piedade!
Para Nossa Madre:
- Ó minha Madre, eu vos garanto que o cálice está cheio até a boca!…
- …Mas o bom Deus não vai me abandonar, certamente… …Ele nunca me abandonou.
- …Sim, meu Deus, tudo o que quiser, mas tenha piedade de mim!
- …Minhas irmãzinhas! Minhas irmãzinhas rezem por mim!
- …Meu Deus! Meu Deus! Vós que sois tão bom!!!
- …Oh! Sim, vós sois bom! Eu o sei…
Depois do ofício de Vésperas, Nossa Madre colocou sobre seus joelhos uma imagem de Nossa Senhora do Monte Carmelo. Ela olhou por um instante e disse o quanto Nossa Madre lhe tinha garantido que ela logo mais iria acariciar Nossa Senhora como também o Menino Jesus nessa imagem:
- Ó minha Madre, apresentai-me logo à Virgem Maria, eu sou um bebê que não agüenta mais! … Prepare-me para bem morrer.
Nossa Madre lhe respondeu que tendo sempre compreendido e praticado a humildade, sua preparação já estava feita. Ela refletiu por um instante e pronunciou humildemente essas palavras:
- Sim, me parece que nunca busquei outra coisa senão a verdade; sim, eu compreendi a humildade de coração… parece-me que sou humilde.
Ela repetiu ainda:
- Tudo o que escrevi sobre meus desejo de sofrimento. Oh! É bem verdadeiro!
- Eu não me arrependo de me ter entregado ao Amor.
Com insistência:
- Oh! Não, eu não me arrependo, muito pelo contrário!
Um pouco depois:
- Eu nunca teria crido que era possível sofrer tanto [nota: nunca aplicamos nela injeção alguma de morfina]! Nunca! Nunca! Eu não posso compreender tal coisa senão pelos desejos ardentes que tive de salvar as almas.
Por volta das 5 horas, eu estava sozinha perto dela. Seu rosto mudou de repente, compreendi que era a última agonia. Quando a Comunidade entrou na enfermaria, ela acolheu todas as irmãs com um doce sorriso. Ela segurava seu Crucifixo e o olhava constantemente. Durante mais de duas horas, a respiração rouca arranhava seu peito. Seu rosto estava congestionado, suas mãos roxas, ela tinha os pés congelados e tremia todos seus membros. Um suor abundante caia em gotas enormes sobre seu rosto e inundava suas bochechas. Ela estava sob uma opressão cada vez maior e lançava às vezes pequenos gritos involuntários para respirar. 
Durante esse tempo tão cheio de agonia para nós, escutávamos pela janela – e eu sofria bastante – o canto de vários pássaros, mas tão fortemente, de tão perto e durante tanto tempo! Eu rezava para o bom Deus de os fazer calar, esse concerto me perfurava o coração e tinha medo que ele cansasse nossa Terezinha.
Durante outro momento, ela parecia ter a boca tão ressecada que a irmã Genevieve, achando que a aliviaria, lhe colocava nos lábios um pequeno pedaço de gelo.Ela o aceitou lhe fazendo um sorriso que nunca me esquecerei. Era como um supremo adeus.
Às 6 horas o Angelus soou, ela olhou longamente para a estátua da Virgem Maria.
Enfim, às 7 horas e pouco, Nossa Madre tendo despedido a Comunidade, ela suspirou:
- Minha Madre!? Não é isso a agonia?… Não irei morrer?…
Sim, minha pobrezinha, é a agonia, mas o bom Deus quer talvez prolongá-la por algumas horas. Ela retoma com coragem:
- Ora bem!… Vamos!… Vamos!… Oh! Eu não quereria sofrer menos tempo…
E olha seu Crucifixo:
- Oh! Eu o amo!…………………………. Meu Deus… Eu vos amo………………………….
De uma hora para outra, após ter pronunciado essas palavras, ela caiu suavemente para trás, com a cabeça inclinada para a direita. Nossa Madre fez soar imediatamente o sino da enfermaria para chamar a Comunidade. “Abram-se todas as portas” dizia a Madre no mesmo instante. Essas palavras tinha algo de solene, e me fizeram pensar que no Céu o bom Deus o dizia também a seus anjos.
As irmãs tiveram o tempo de se ajoelhar em torno do leito e foram testemunhas do êxtase da pequena Santa que morria. Seu rosto tinha tomado a cor de uma flor-de-lis que tinha quando em plena saúde, seus olhos estavam fixados no alto, brilhantes de paz e de alegria. Ela fazia alguns movimentos de cabeça, como se Alguém a tivesse divinamente ferido com uma flecha de amor, depois retirado a Flecha para a ferir novamente… A irmã Maria da Eucaristia se aproximou com uma vela para ver de mais perto seu olhar sublime. Diante da luz dessa vela, não houve movimento algum de suas pálpebras. Esse êxtase durou o tempo de um “Credo”, e ela deu seu último suspiro.
Após sua morte, ela conservou um sorriso celeste. Ela estava com uma beleza encantadora. Ela segurava tão forte seu Crucifixo que foi necessário arrancá-lo de suas mãos para enterrá-la. A irmã Maria do Sagrado-Coração e eu fizemos tal serviço, com a irmã Amada de Jesus, e notamos que ela não parecia ter mais do que 12 ou 13 anos. Os membros do seu corpo permaneceram flexíveis até o dia do seu enterro, numa segunda-feira, no dia 4 de outubro de 1897.



Fonte da transcrição


26 de setembro de 2012

Manual de Instruções, Orações e Cânticos

Manual de Instruções, Orações e Cânticos
Coordenado pelo 
P. Guilherme Vaessen
Missionário da Congregação da Missão
Livro de 1953 - 284 págs


UMA PALAVRA

Este livrinho, além de um catecismo resumido da doutrina cristã, contém as principais devoções consagradas pela Igreja, todas elas precedidas de uma curta e clara instrução sobre a natureza, o fim e o valor delas, coisa de relevância para nossos tempos, que carecem de doutrina, não de vago sentimentalismo religioso.
Contém também uma coleção de orações e de cantos, e um despertador da alma.
É destinado aos pequenos e humildes.
[...] se me aproxima o tempus resolutionis, o fim e o dia da prestação de contas. Por isso mesmo, quisera deixar em meu lugar este Pequeno Missionário para continuar a evangelizar a tantas pobres almas, que pedem pão, e não há quem lho reparta.
Desejaria assim reparar as minhas negligências e faltas, maiores e mais numerosas que as de São Vicente de Paulo, o qual, quando voltava das missões, extenuado e morto de cansaço, dizia que, ao entrar em Paris, lhe parecia que as portas da cidade iam desabar sobre ele, porque deixara atrás almas ainda não evangelizadas.
Que Deus e Maria Imaculada abençoem minha boa vontade, para maior glória de seus nomes e salvação das almas.
Fortaleza, a 27 de Novembro de 1930.
Centenário da Aparição da Medalha Milagrosa



MAIS UMA PALAVRA


Não foi sem dúvida sem um especial favor de Deus que, em poucos anos. O Pequeno Missionário se espalhou, em número de cerca de cem mil exemplares, por todo o Brasil, desde o Rio Grande do Sul até o Amazonas, como eu mesmo tive ocasião de constatá-lo de vista.
Não será permitido ver nessa célere provisão um indício não obscuro da vontade de Deus? Por isso, julgo que não se deve parar na caminhada tão bem principiada e interromper uma obra cujo sucesso passado parece ser uma garantia para o futuro.
É o que nos anima a lançar esta edição, "in nomine Domini."
[...]
Fortaleza, a 4 de Junho de 1948, aniversário dos meus cinquenta anos de sacerdote e missionário.
Peço a quem ler estas linhas, tenha a caridade de ajudar-me a agradecer a Nosso Senhor as muitas graças que me concedeu e a lhe pedir perdão das muitas faltas que cometi, durante minha já longa vida.
A Minha Mãe, a Virgem Maria, ao meu bom Pai, São Vicente de Paulo, dedica, oferece e consagra este pequeno trabalho,
o último dos seus filhos,
P. Guilherme Vaessen, C. M.

20 de setembro de 2012

São João Bosco

Introdução, escolha dos textos e notas
por Joseph Aubry, Salesiano
Livro de 1975 - 525 págs


ÍNDICE
Siglas e Abreviações
Dados Biográficos
Cronologia dos principais escritos de Dom Bosco citados nesta antologia

14 de setembro de 2012

Livro indicado para a catequese do 6º. ano - 11 anos - Reformatado

para a 1ª. série ginasial
Monsenhor Álvaro Negromonte
Livro de 1962 - 154 págs

Fonte
Vaticano, 30 de dezembro de 1950
Reverendo Padre,
Por intermédio dos bons ofícios do Exmo. Sr. Núncio Apostólico, o Santo Padre recebeu a devota homenagem de algumas de suas obras catequéticas.
Tenho o prazer, agora, de comunicar a V. Reva. que o Augusto Pontífice dignou-se não só aceitar este preito filial, mas também apreciar a sua nobre tarefa, cujo fim primordial é oferecer às crianças e à juventude uma visão clara da doutrina e da moral cristãs.
Nada mais perigoso há, de fato, do que a ignorância religiosa, porque corrompe a reta noção de Deus e da Igreja e dos deveres do homem para com Deus, para com o próximo e para consigo mesmo.
Com razão escreveu V. Reva. : a base de toda a formação religiosa sólida é a educação cristã, porque o estudo do catecismo não é só instrução, mas também e sobretudo formação espiritual; não é só luz para a inteligência, mas também calor para o coração, a fim de que o cristão, com a graça de Deus, dirija as suas ações para o bem e viva, com conhecimento e amor, de acordo com a sua Fé.
Sua Santidade, congratulando-se pela sua atividade no campo literário e no do Apostolado como Diretor do Ensino Religioso na Arquidiocese do Rio de Janeiro e em penhor de celestes favores sobre a sua dupla e santa missão em prol das crianças e da juventude concede de todo o coração, a Vossa Reverência a Bênção Apostólica.
Com a maior consideração, me subscrevo
De Vossa Reverência
muito dedicado no Senhor
Revmo. Sr.
Pe. Álvaro Negromonte
Diretor do Ensino Relisioso
Rio de Janeiro


ÍNDICE GERAL

Nota da Editora
Ao Professor
Nossa História Divina
Filhos de Deus
Cerimônias do Batismo
Manter a graça
Cumprir os Mandamentos
Membros da Igreja
Somos todos irmãos
Obedecer à Igreja
A Fé
Pecado Mortal
Pecado Venial
Para recuperar a graça
Deveres para com Deus
O Culto Perfeito a Deus
O Meu e Vosso Sacrifício
O Nosso Culto a Deus
Com Cristo e Seus Santos
Alimento Sobrenatural
A oração é necessária
Meus Deveres de Filho
Sejamos puros
Os Bens Materiais
Amor à Verdade
Crescer na virtude

4 de setembro de 2012

Infanto-Juvenil

Livro para
Colorir e Ensinar as Crianças


Origem das Ladainhas

A palavra ladainha vem do grego e significa súplica. Mas desde o início da Igreja ela foi utilizada para indicar não quaisquer súplicas, mas as que eram rezadas em conjunto pelos fiéis que iam em procissão às diversas igrejas. Há, naturalmente, numerosas ladainhas, dependendo do que é pedido nas diversas procissões.

Quando a casa na qual morou Nossa Senhora na Palestina foi transportada milagrosamente para a cidade de Loreto (Itália), em 1291, a feliz novidade espalhou-se rapidamente, dando início a numerosas peregrinações. Com o correr do tempo, uma série de súplicas a Nossa Senhora foi sendo composta pelos peregrinos que ali iam, os quais A invocavam por seus principais títulos de glória. Posteriormente essa ladainha era cantada diariamente no Santuário, e os peregrinos que de lá voltavam a popularizaram em todo o orbe católico. Chama-se lauretana por ter sua origem em Loreto.

Algumas invocações têm sido acrescentadas pelos Papas ao longo dos tempos, outras são agregadas para honrar a proteção de Nossa Senhora a alguma Ordem religiosa, como fazem os carmelitas, os quais rezam a ladainha lauretana carmelitana, com quatro invocações a mais. Mas o corpo central das ladainhas permanece o mesmo.

Composição da Ladainha

No início da Ladainha Lauretana, as invocações não se dirigem a Nossa Senhora, mas a Nosso Senhor e à Santíssima Trindade, pois dizemos Senhor, tende piedade de nós, Jesus Cristo, ouvi-nos, etc. Depois invocamos o Padre Eterno, o Filho e o Espírito Santo. Por quê?

Tudo em Nossa Senhora nos conduz a seu divino Filho, e por meio dEle à Santíssima Trindade, que é nosso fim último. Isto é algo que os protestantes não entendem ou não querem entender: Maria Santíssima é o melhor caminho para se chegar a Deus.

Após essa introdução da ladainha, seguem-se três invocações, nas quais pronunciamos o nome da Virgem (Santa Maria) e lembramos dois de seus principais privilégios: o ser Mãe de Deus e Virgem das virgens. A seguir, há um grupo de 13 invocações para honrarmos a Maternidade de Nossa Senhora, e outras seis para honrar sua Virgindade. Em seguida, 13 figuras simbólicas; quatro invocações de sua misericórdia e, finalmente, 12 invocações dEla enquanto Rainha gloriosa e poderosa.

Em geral, é no grupo das 13 invocações com figuras simbólicas que surgem as maiores dificuldades de compreensão. Nossa civilização fechou-se para o simbolismo, e aquilo que poderia ser até evidente em outras épocas, hoje ficou obscurecido pelo exclusivismo concedido ao espírito prático. A própria vida contemporânea contribui para isto. Assim, por exemplo, como explicar ou ressaltar, a pessoas que ficam fechadas em cidades feias e perigosas, a beleza de uma estrela? Igualmente, o ritmo de vida corrida e excitante de hoje não favorece a meditação ou a contemplação das maravilhas da criação.

Alguns Significados

Vejamos então o significado destas 13 invocações simbólicas.

Espelho de Justiça — Justiça, aqui, entende-se em seu sentido mais amplo de santidade. Nossa Senhora é chamada assim, porque Ela é um espelho da perfeição cristã. Toda perfeição pode ser admirada nEla, do mesmo modo como podemos admirar uma luz refletida na água.

Sede da Sabedoria — Nosso Senhor Jesus Cristo é a Sabedoria, pois, enquanto Deus, tudo sabe e tudo conhece. Ora, Nossa Senhora durante nove meses encerrou dentro de si seu divino Filho; Ela foi, portanto, a sede da Sabedoria. E continua a sê-lo, pois é nEla que encontramos infalivelmente a Nosso Senhor.

Causa de Nossa Alegria — a verdadeira alegria não é o riso. Rir muito nem sempre significa felicidade. É muito mais feliz a mãe carregando amorosamente seu filho do que um papalvo que ri à-toa. E a maior alegria que um homem pode ter é a de salvar-se e estar com Deus por toda a eternidade. Ora, antes da vinda de Nosso Senhor, o Céu estava fechado para nós. Foi o sacrifício do Calvário que nos reconciliou com o Criador e nos proporcionou a verdadeira e eterna felicidade. Como foi por meio de Nossa Senhora que o Redentor da humanidade veio à Terra, Maria Santíssima é, pois, a causa de nossa maior alegria.

Vaso Espiritual — Nada tem mais valor do que a verdadeira Fé. Na Paixão e Morte de Nosso Senhor, quando até os Apóstolos duvidaram e fugiram, foi Nossa Senhora quem recolheu e guardou, como num vaso sagrado, o tesouro da Fé inabalável.

Vaso Honorífico — Em nossa época, a honra quase não é considerada. Pelo contrário, muitas vezes a falta de caráter e a sem-vergonhice são louvadas. Mas a honra e a glória, na realidade, valem muito. E Nossa Senhora guardou cuidadosamente em sua alma todas a graças recebidas, e manteve a honra do gênero humano decaído. Se não tivesse existido Nossa Senhora, ficaria faltando na criação quem representasse a perfeição da criatura, fiel até o extremo heroísmo.

Vaso Insigne de Devoção — Devoto quer dizer dedicado a Deus. A criatura que mais se dedicou e viveu em função de Deus foi Nossa Senhora, tendo-o realizado de forma tal, que melhor é impossível.

Rosa Mística — A rosa é a rainha das flores. É aquela que possui de forma mais definida e esplêndida tudo quanto carateriza uma flor. Igualmente Nossa Senhora, no campo da vida espiritual ou mística, possui de forma mais primorosa tudo aquilo que representa a perfeição.

Torre de Davi — Lemos na Sagrada Escritura que o rei Davi tomou a fortaleza de Jerusalém dos jebuseus e edificou a cidade em torno dela. "E Davi habitou a fortaleza, e por isso se chamou cidade de Davi" (Paralipômenos, 11-7). Naturalmente, o rei Davi fortificou a cidade, para torná-la inexpugnável, e a dotou de forte guarnição. A Igreja Católica é a nova Jerusalém, e nela temos uma torre ou fortaleza que nenhum inimigo pode invadir ou destruir, que é Nossa Senhora. Ela constitui o ponto de maior resistência e melhor defesa. Por isso, nesta invocação honramos a Nossa Senhora reconhecendo que nunca houve, nem haverá, quem melhor proteja os fiéis e defenda a honra de Deus do que Ela.

Torre de Marfim — O marfim é um material que tem caraterísticas raras na natureza. Ele é ao mesmo tempo muito forte e muito claro. Igualmente Nossa Senhora é muito forte espiritualmente, a maior inimiga dos inimigos de Deus, e de uma pureza alvíssima. Assim Ela contraria a idéia falsa de que as coisas de Deus devam ser sempre muito doces, suaves e fracas, ou que a verdadeira força têm-na os impuros.

Casa de Ouro — O ouro é o mais nobre dos metais. Por isso, sempre que desejamos dar alguma coisa que seja insuperável, a oferecemos em ouro — uma medalha de ouro numa competição, por exemplo. Se tivéssemos que receber o próprio Deus, procuraríamos fazê-lo numa casa que não fosse superável, neste sentido uma casa de ouro. E a Virgem Santíssima é a casa de ouro que acolheu Nosso Senhor quando veio ao mundo.

Arca da Aliança — No Antigo Testamento, na Arca da Aliança ficavam guardadas as tábuas da lei dadas por Deus a Moisés e um punhado do maná recebido milagrosamente no deserto. Por isso ela lembrava as promessas e a proteção de Deus. Nossa Senhora é, no Novo Testamento, a Arca da Aliança que protege o povo eleito da Igreja Católica e lembra as infinitas misericórdias de Deus.

Porta do Céu — Nossa Senhora é invocada desse modo, pois foi por meio dEla que Jesus Cristo veio à Terra, e é por Ela que nos vêm todas as graças, as quais têm como finalidade nos levar ao Céu, nossa morada eterna. Assim, Ela favorece nossa entrada no Céu, como a porta favorece a entrada num local.

Estrela da Manhã — Pouco antes de nascer o sol, quando a escuridão é maior e vai começar a clarear, aparece no horizonte uma estrela de maior luminosidade. Depois, quando as outras estrelas desaparecem na claridade nascente, ela ainda permanece. Assim foi Nossa Senhora, pois seu nascimento significava que logo nasceria o Sol de Justiça, Nosso Senhor Jesus Cristo. E quando a Fé se perdia até entre o povo eleito, Ela continuava a acreditar e esperar. Ela é o modelo da perseverança na provação e o anúncio da Luz que virá.

Temos assim, resumidamente, algumas explicações das invocações da Ladainha Lauretana. Esperemos que a compreensão delas nos ajude a rezar com maior fervor tão meritória oração.

__________

Retirado do livo: Na Escola de Maria - André Damino - Ed. Paulinas, 4ª edição, São Paulo, 1962  que em breve estará disponível para download no Alexandria Católica

Qualquer quantia tem grande valor

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O SANTO DE AUSCHWITZ

Assim dizia São Maximiliano Kolbe:

"De muito boa vontade oferecemos leituras gratuitas a todos aqueles que não possam oferecer nada para esta obra, mesmo privando-se um pouco."

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