17 de junho de 2019

Bíblia adaptada às Escolas - Com um Breve de S. Pio X


Pe. Thiago Ecker
Edição de 1925 - 285 págs 



Prefácio
Desde muito tempo fez-se sentir nas escolas e nas famílias católicas a falta de uma “Bíblia" que unisse em si com a integridade relativa do original, na brevidade mais possível, a beleza sublime do texto autêntico.
Os protestantes espalham sem critério o texto completo dos Livros Sagrados - coisa perigosa para os leitores que não são teólogos de vocação. O perigo não está na “Bíblia” mesma: essa contém a palavra do Senhor, sacrossanto e infalível. A Igreja Católica, longe de proibir a leitura do texto sagrado, apenas a sujeitou a algumas regras necessárias. O perigo prevenido por ela (e desprezado pelos protestantes) consiste no fato, aliás muito natural, de não terem todos os fiéis, e menos ainda outros, tido a ocasião de adquirir as ciências necessárias para que possam ler, sem perigo de errar a sua interpretação, os livros santos. Deus confiou o tesouro da sua revelação à Igreja, obrigando essa a ensinar a sua palavra a todas as criaturas e prometendo-lhe a assistência do Espírito Santo.
“Quem não quiser ouvi-la, seja considerado como um pagão”. (Mat. XVIII, 17). Por conseguinte, a Igreja, em vez de sigilar os livros santos, nada mais ardentemente deseja do que vê-los conhecidos de todos na sua divina beleza e verdade. Mas, como não é uma diminuição da liberdade humana indicar a estrada ao imperito estrangeiro, para que não se engane - ou comentar com ciência uma obra não comum, p. ex. a Divina Comedia de Dante - assim não pode ser chamada “estreiteza” a prudente regra da Igreja Católica proibindo aos simples fiéis ler os livros sagrados sem um comentário aprovado por ela. É imprudência, para não dizer falta da mais elementar inteligência das realidades, por parte dos heréticos, quando distribuem indiscretamente a Bíblia a pessoas de todas as condições. Profanam deste modo a palavra de Deus, em lugar de espalhá-la, expondo-a ser mal interpretada e a provocar erros e perturbação de consciência, em vez de derramar divina luz e paz nas almas.
A Sagrada Escritura, sendo na sua totalidade muito difusa e volumosa demais para ser lida com o proveito desejado por todos, a Santa Igreja sempre autorizou os compêndios de “Histórias Sagradas”, para, deste modo, ao menos trazer ao conhecimento dos fiéis as principais verdades da Religião contidas nos livros santos. - Esses tais “compêndios”, por mais bem feitos que sejam, nunca rendem aquela inestimável unção e penetrante simplicidade da divina palavra, como fica conservada no texto original. Para remediar a este defeito primordial das “Histórias Sagradas”, é mister fazer um compendio da Bíblia, deixando intacto o texto original, por uma tradução fiel e científica - isto é: compor uma escolha dos trechos mais importantes da Sagrada Bíblia, deixando de parte, o que sem inconveniente, pode ser omitido. Esta ideia tão elevada quão simples foi concebida e executada com finíssimo tino pelo R. Padre Ecker. O douto e piedoso Professor do Seminário de Trèves escolheu as narrações essenciais da Sagrada Escritura, conservando na tradução toda a força e beleza do primeiro texto - ligando-as apenas entre si, mas de modo tão delicado que a sua mão fica invisível. E' por esta razão que o autor não chamou o seu livro "História Sagrada", mas "Bíblia das Escolas” - é a Bíblia adaptada às escolas.
A Bíblia, assim apresentada ao povo católico, foi abençoada pelo S. Padre num Breve especial dirigido ao R. P. Ecker e aceita desde o seu aparecimento em todos os países, com tão extraordinário favor que logo foi traduzida em quinze línguas. Os sábios mais eminentes tiveram por honra fazer conhece-la ao público católico nos diversos países: como, p. ex., o R. P. Brucker, S. J., na França, e o R. P. L. Murillo, S. J., na Espanha.
O ilustríssimo Episcopado brasileiro não tardou em reconhecer todas as vantagens da “Bíblia das Escolas” e, desejoso de introduzi-la em suas dioceses, conseguiu que o Exmo. Sr. Bispo do Maranhão, D. Francisco Silva, se encarregasse da tradução portuguesa, tradução feita, inútil é dizê-lo, com a competência sem igual que todos lhes conhecem. Sua Exma. soube admiravelmente conservar a singeleza de linguagem bíblica e adaptá-la, sem artifício e afetação, ao gênio da língua pátria. 
Além das prerrogativas fundamentais já mencionadas, outra qualidade aumenta o valor da obra do R. P. Ecker: a ilustração artística do texto. Uma profusão de desenhos finíssimos, de reproduções de plantas, cartas e esboços põem muito em relevo o texto e facilitam a sua compreensão. Imagens, iniciais, vinhetas não são criações de fantasia, como estamos habituados a vê-las em publicações congêneres; - elas elevam e correspondem à realidade mais ideal da vida, são de natural concepção e de arte castigada na forma. As imagens são tão vivas que o espírito infantil será profundamente penetrado dos sentimentos expressos pelas personagens sacras. Os desenhos simbólicos, ornando com tanta discrição, as iniciais ou vinhetas, oferecem um verdadeiro prazer artístico. Espalhadas em todo o livro, as reproduções de objetos da história da civilização, de cartas geográficas e de objetos de ciência natural, concretizam na fantasia juvenil a leitura e excitam sem esforço um verdadeiro interesse. De tudo se deve concluir que uma mão experimentada tem ordenado tudo de um modo incomparável.
A “Bíblia das Escolas” incontestavelmente ocupa entre os livros didáticos modernos e aperfeiçoados o primeiro lugar e leva a palma. Tê-la feito traduzir em português faz honra ao ínclito Episcopado do Brasil. Possa o fruto que se espera deste livro corresponder às graças divinas escondidas sob o véu da palavra humana e aos esforços generosos de todos os que para ele colaboraram.
P.O.O.

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