7 de julho de 2011

Maçonaria

Instrução Pastoral do Bispo de Olinda
Aos Seus Diocesanos
Dom Vital (*)
Livro de 1875 - 205 págs


  "A Maçonaria, o supremo esforço do poder das trevas contra a luz da verdade, é incontestávelmente o mais temeroso inimigo que a Igreja tem tido que debelar. Provas irrefragáveis de tudo isto têmo-las de sobejo nos assombrosos acontecimentos e bárbaras cenas da grande Revolução Francesa; no que se deu no período dos trinta anos que a precederam; e no que atualmente estamos, com dor imensa, presenciando por toda a parte.
Sob as odiosas denominações de fanatismo, ultramonianismo, romanismo, jesuitísmo, etc, não cessa a Maçonaria de mover guerra sem tréguas ao Catolicismo, combatendo-o a todo o transe, por todos os meios, por todos os lados.
  No momento em que vemos, Irmãos e Filhos caríssimos, a seita maçônica prosseguir dissimulada e afanosa, mais que nunca, na sua obra de demolição contra a Igreja Católica, de um lado tentando ilaquear a boa fé dos homens simples, probos e honestos, e do outro suscitando contra os venerandos Padres Jesuítas uma dessas tempestades que as Páginas Sagradas nos representam debaixo da pavorosa figura de turbilhão impetuoso e de chama devoradora, cumpre-nos, a exemplo do grande Apóstolo das nações honrar o nosso ministério: Ministerium meum honorabo, cumpre-nos levantar a voz afim:

1.° de premunir as nossas queridas ovelhas contra as pérfidas ciladas da astuta serpente;

2.° de advogar a causa da inocência caluniada e oprimida."


(*) Nota sobre D. Frei Vital Maria Gonçalves de Oliveira

  Dom Vital sofreu a amargura da injustiça, mas se tornou um modelo fecundo como Pastor fiel às orientações da Igreja. Seu exemplo de fidelidade à doutrina do Sucessor de Pedro é um valioso estímulo a todos nós, do clero e do laicato.

  Dom Vital nasceu no Município de Pedras de Fogo, Paraíba, a 27 de novembro de 1844. Foi aluno em Recife e do Seminário de Olinda. Continuou seus estudos na França e ingressou no Convento dos Capuchinhos, em Versailles. Chamava-se Antônio e, na ordem, recebeu o nome de Frei Vital Maria. Completou sua formação em Toulouse e foi ordenado sacerdote a 2 de agosto de 1868. Nesse mesmo ano retornou ao Brasil e, em São Paulo, exerceu diversos cargos, inclusive o de Professor de Teologia. Aí recebeu, a 21 de maio de 1871, o nomeação para Bispo de Olinda. Ao pedido “para que o livrem de semelhante fardo, em razão da idade e da indignidade”, Pio IX respondeu: “Hás de estrenuamente defender a causa de Deus e nada omitir que possa dizer respeito à salvação e proveito do rebanho a ti confiado”. Uma diretriz marcada por uma premonição.

 Ao tomar posse, a 24 de maio do ano seguinte, já se percebiam os sinais de borrasca. Publicações anti-clericais chamavam-no de “ultramontano”. Em novembro desse mesmo ano, escreveu uma Carta Pastoral defendendo a Igreja, atacada pela imprensa. Dom Vital incomodava, por tentar corrigir graves falhas na vida diocesana. A resposta ao Bispo foi o anúncio pomposo de uma Missa e publicações dos nomes de maçons pertencentes a Irmandades, inclusive sacerdotes. O Pastor reage com prudência. Uma circular confidencial procura levá-los a obedecer à determinação da Igreja. Quase todos os eclesiásticos observaram a ordem dada. O interdito canônico a essas associações foi precedida de caridosa exortação, que explicitava “a pena imposta permanece em vigor, até à retratação da Irmandade, que fica em pleno gozo de seus direitos, na parte temporal e na administração de seus bens”.

  Houve recurso à Coroa. Pressionado pelo Governo Imperial, Dom Vital responde ao Ministro João Alfredo: “Se a minha resistência vai dar lugar a cenas tristes, só conheço um meio: peça o Governo Imperial à Santa Sé que me mande, quanto antes, para meu convento”. Chegando ao Rio de Janeiro, encarcerado no Arsenal de Marinha, recebe a visita de Dom Pedro Maria de Lacerda, Bispo do Rio, que lhe diz emocionado: “Vejo em Vossa Excelência um prisioneiro de Cristo; meu Clero e Cabido serão felizes pondo-se às suas ordens.” A amizade fraterna e a comunhão na defesa da verdade e da liberdade da Igreja uniram desde então Dom Vital e a diocese do Rio de Janeiro.

 O julgamento teve aspectos dramáticos e comoventes. O Sucessor do Apóstolos foi condenado, como incurso no Artigo 96 do Código Penal, a quatro anos de prisão, com trabalhos forçados, por crime inafiançável. A 22 de dezembro de 1873 Dom Vital foi recolhido à Fortaleza de São João.

  Pelas pressões do Duque de Caxias, foi anistiado pelo Decreto nº 5.933, de 17 de dezembro 1875 e reconhecida a inocência. A seguir, viaja a Roma, em visita “ad limina”. Ao ser recebido pelo Papa Pio IX, este o abraçou com afeto e disse: “Aprovo tudo o que Vossa Excelência fez, desde o princípio”.

  Regressou à Diocese em 6 de outubro de 1876 e recebido triunfalmente. Iniciou, com entusiasmo, suas atividades pastorais. No entanto, agravou-se seu estado de saúde e embarcou para a Europa, em busca de tratamento. Escreveu ao Papa, com sua renúncia à Diocese, sem resultado. A medicina não conseguiu descobrir a enfermidade, que provocou misteriosos sintomas.

  Dom Vital morreu em Paris, a 4 de julho de 1878. Ao receber o Viático, diz: “Perdôo de coração aos meus inimigos e ofereço a Deus o sacrifício da minha vida”. Monsenhor de Ségur, na oração fúnebre, por ocasião das exéquias, afirmou que Dom Vital morreu envenenado. Assim terminou esse triste episódio, que é denominado a “Questão Religiosa
”. Com ela, foram dados os primeiros passos para a correção de graves obstáculos ao florescimento da vida da Igreja no Brasil. Foi o início de um despertar.

 A desejada Beatificação será um reconhecimento de uma vida heróica, a serviço do Evangelho. Dom Vital sofreu a amargura da injustiça, mas se tornou um modelo fecundo como Pastor fiel às orientações da Igreja. Seu exemplo de fidelidade à doutrina do Sucessor de Pedro é um valioso estímulo a todos nós, do clero e do laicato. Agiu com prudência, corajoso sem ser audacioso, obedeceu ao apelo que, no futuro, seria feito por João Paulo II, no dia de sua eleição: “Não tenhais medo".

Foto tirada da obra "UM GRANDE BRASILEIRO"
do missionário capuchinho Frei Félix de Olívola                 
ano de 1935 
Trata-se da biografia do ex-Bispo de Olinda Frei Vital Maria Gonçalves de Oliveira mais conhecido por DOM VITAL


13 comentários:

ulysses freire da paz jr. disse...

Livros de Paul Copin-Albancelli "La Guerre occulte. Les Sociétés secrètes contre des nations", 1925; Douglas Reed "Insanity Fair"; Georg Michael Pachtler "Der stille krieg freimaurerei gegen thron und altar" 1873; Leon de Poncins " As Forças Secretas da Revolução" 1937, Maurice Pinay "Complô contra Igreja"; Sergio Oliveira "Cristianismo em Xeque"; ..... e respectivas bibliografias apresentam elementos comuns e coerentes à cronologia histórica que permitem entender a origem da desagregação familiar, da devastação ambiental e da justiça política - a pior das injustiças.

Em 1874 o arcebispo primaz do Brasil Antônio de Macedo Costa, foi condenado a trabalhos forçados; destino quase semelhante teve o bispo de Olinda Dom Vital Maria Gonçalves de Oliveira, falecido aos 33 anos.

ulysses freire da paz jr. disse...

Algunos misterios tienen la misma origen que la pregunta: "¿Por qué mandaron asesinar al general George Patton?"

La gran prueba de supervivencia de la democracia es asumir que si he guiado más por la publicidad que por la lógica y, en contra de su propio interés, se lanzó a la guerra para salvar al marxismo de la dictadura comunista bolchevique ruso, que había se impuesto tan extraordinariamente sangrienta basada en una doctrina inusual que niega los principios de nacionalidad y patria, su rencor mortal contra la propiedad privada, su posición atea perentoria apoyado en su implacable persecución religiosa y expresa su intención de ampliar estos sistemas a través de la "revolución mundial" profetizada por Marx. Fuente: "Derrota Mundial" Capítulo 3, Salvador Borrego

También fructífera es la lectura de "Los crímenes de los "buenos" Y "La historia de los vencidos (El suicidio de Occidente)" de JOAQUIN BOCHACA; "Los conquistadores del mundo" de Louis Marchalsko; "Complot contra la Iglesia" Maurice de Pinay; "Las fuerzas secretas de la revolución" de Léon de Poncins

Como he dicho el scritor aleman, Hans Kasper:„Lautsprecher verstärken die Stimme, aber nicht die Argumente.“ - "Altavoces amplifican la voz pero no los argumentos"




Unknown disse...

DOM VITAL É UM SANTO !!!!!!

Unknown disse...

DOM VITAL É UM GRANDE SANTO !!!!!!!

Robert Maria disse...

Salve Maria irmãos da Alexandria!

Deus os abençoe pelo apostolado.

O link deste livro já não é válido, tem a possibilidade de atualizar?

Obrigado, Deus lhes pague!

A_Católica disse...

Salve Maria, Robert!

Agradeço o aviso e informo-lhe que o link foi retificado,

Saudações!

Jefferson disse...

Caríssimos,
O link está novamente com problemas, poderia corrigir?
Obrigado pela atenção

A_Católica disse...

Salve Maria, Jefferson!

Conforme nota acima: "Alguns links dos arquivos disponibilizados através do 4SHARED estão temporariamente desativados. Por favor, aguarde, aos poucos eles estarão sendo reativados e, enquanto espera, não esqueça de rezar por este apostolado.
Deus lhe pague!

Saudações!

A_Católica disse...

Link retificado!

Jefferson disse...

Obrigado!

Meire Cristiane disse...

Muitíssimo obrigada pelas indicações dos livros. Infelizmente no Brasil pouquíssimos Católicos se interessam por este tema.

Rodrigo ms disse...

Salve Maria!

Novamente o link estragou. Hehehe.

Obrigado pela excelente qualidade dos livros aqui postados!

A_Católica disse...

Salve Maria, Rodrigo!

Agradeço suas palavras e informo que o link foi novamente retificado,

Saudações!

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