24 de setembro de 2011

Coleção "Vozes em Defesa da Fé" - Caderno 33

História de uma Instituição Controvertida
Pe. José Bernard, SJ.
Vozes em Defesa da Fé - Caderno 33
Transcrição do livro de 1959 - 32 págs


INTRODUÇÃO

Uma das acusações que sem cessar se levantam contra a Igreja Católica é a de ter terrorizado os povos cristãos pela "sinistra instituição da Inquisição". As incriminações proliferam em meio de uma ignorância histérica quase completa. Sem conhecimento de causa fala-se de inocentes perseguidos, prisões, torturas, fogueiras... Só a palavra Inquisição incute misterioso terror.
Nos nossos estudos sobre Galileu Galilei, condenado pela inquisição Romana, sentimos a necessidade de aprofundar e esclarecer os conhecimentos sobre o órgão jurídico que tomou em mão o caso do célebre pisano (Ver: Galileu Galilei à luz da História e da Astronomia. Editora Vozes).
Muitas vezes até é ignorado o fato de ter sido a Inquisição um tribunal, e é este o caráter que lhe dá a grande impopularidade. Qualquer tribunal de justiça é odiado pelos criminosos, receando pelos cidadãos honrados que se sentem difamados quando citados pelo juiz; finalmente, por falsos sentimentos humanitários, são difamadas as sentenças judiciárias como desumanas, esquecendo-se que qualquer sanção das leis deve ser dura, para intimidar os malfeitores e proteger os inocentes, e as sanções que os nossos antepassados julgavam necessárias eram realmente duras e hoje incompreensíveis. Foram estas as razões que geraram contra a Inquisição a atmosfera de ressentimento e repulsão, fomentada por propaganda malévola e favorecida pela incompreensão das suas finalidades e efeitos salutares.
A aversão contra o espetro sinistro do tribunal da fé é tão geral, que os próprios católicos, fiéis à sua Igreja, dela participam, influenciados por uma constante propaganda maliciosamente tendenciosa. Muitos confundem a imutabilidade do dogma católico com a disciplina eclesiástica. Considerando a Igreja como imutável, afirmam estar ela ainda hoje nas mesmas disposições como em séculos passados, e pronta para perseguir os dissidentes com torturas e fogueiras. Tais acusadores não sabem distinguir o essencial do acidental. Sabemos que o islamismo, fiel às doutrinas de Maomé, considera da sua essência submeter todo o mundo a ferro e fogo. Ainda recentemente os ulemás do Paquistão se opuseram a uma constituição favorável a adeptos de outras religiões, declarando que o mundo islâmico continua ainda hoje em pé de guerra com todos os infiéis. A propagação da Igreja Católica é também uma característica essencial e imutável, mas processa-se por meios persuasivos. A sua defesa contra os hereges, e em particular a modalidade desta defesa incorporada na Inquisição, é um ato disciplinar e acidental, sujeito a variações e ab-rogações. Na sua disciplina a Igreja se adapta às circunstâncias do lugar e do tempo. Ninguém pensa mais em restaurar a Inquisição e menos ainda seus métodos. Estes pertencem definitivamente ao passado.
Não é fácil remediar a ignorância que reina sobre este assunto de dificílima explicação. Raros são os autores católicos que ousam abordá-lo, desesperando desde o início de poder introduzir o leitor num mundo completamente alheio ao nosso, incompreendido até por muitos historiadores. "Para compreender a Inquisição, é preciso formar-se uma alma ancestral" (Dictionnaire de Théologie Catholique).
As linhas que seguem não pretendem dar um conspecto histórico completo, mas só auxiliar, na medida do possível, a compreensão daquele fenômeno histórico. A disposição da matéria obedece a este intuito. Algumas repetições foram inevitáveis. Começamos com algumas explicações e ponderações preliminares.
Cumprimos ainda com o grato dever de agradecer ao Pe. Dr. Frederico Laufer, S. J., Professor da História Eclesiástica, a valiosa colaboração e orientação.



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OBS.: Agradeço ao leitor Ricardo pelo envio deste arquivo. Que Nossa Senhora  lhe recompense a generosidade de transcrever este livro para que muitas almas tivessem acesso!

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