13 de agosto de 2013

A Vocação de todo Cristão é Vocação de SANTIDADE!

Salvatore Canals
Livro de 1967 - 181 págs



A Nossa Vocação Cristã

Falava eu um dia com um jovem, tal como faço contigo neste momento. Procurava convencê-lo da necessidade de viver cristãmente a sua vida, de frequentar os sacramentos, de ser alma de oração, de dar a todas as suas ações e a toda a sua vida uma orientação sobrenatural. Jesus — dizia-lhe — precisa de almas que, com grande naturalidade e com uma grande doação de si mesmas, vivam no mundo uma vida integralmente cristã. Mas dos seus olhos transpirava a resistência da sua alma; e as suas palavras tratavam de justificar tudo o que a sua vontade se recusava a admitir. Passados alguns minutos, admitiu com sinceridade o que até então provavelmente nunca tinha confessado nem mesmo a si próprio: "Não posso viver como diz, porque sou muito ambicioso». Lembro-me de que lhe respondi: «Olha: tens diante de ti um homem muito mais ambicioso do que tu, um homem que quer ser santo. A minha ambição é tão grande que não se contenta com nenhuma coisa da Terra: ambiciono Jesus Cristo, que é Deus, e o Paraíso, que é a sua glória e a sua felicidade, e a vida eterna».
Permite-me que continue contigo aquela conversa. Não te parece que neste ponto todos nós, cristãos, deveríamos ser santamente ambiciosos? A vocação do cristão é vocação de santidade. Todos os cristãos, pelo simples fato de o serem, têm a obrigação — ocupem o posto que ocuparem, façam o que fizerem, vivam onde viverem — de ser santos. Todos estamos igualmente obrigados a amar Deus sobre todas as coisas: Diliges Dominum Deum tuum ex tota mente tua, ex toto corde tuo, ex tota anima tua, ex omnibus viribus tuis («amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua mente, com toda a tua alma e com todas as tuas forças»). Esta ideia, tão simples e clara, primeiro mandamento e compêndio de toda a Lei de Deus, perdeu força e, hoje em dia, não informa na prática a vida de muitos discípulos de Cristo.
Senhor, como se amesquinhou o ideal cristão na mente dos teus! Pensaram e pensam, Jesus, que o ideal de santidade é excessivamente elevado para eles, e que nem todos os corações cristãos podem albergar essa aspiração. Que ela permaneça —senti que o diziam, em todos os tons — para os sacerdotes e para as almas que foram conduzidas à vida do claustro por uma vocação especial. Nós, homens do mundo, devemos contentar-nos com uma vida cristã sem excessivas pretensões e renunciar humildemente aos voos da alma, embora corramos o risco de experimentar de vez em quando uma nostalgia estéril e pessimista. A santidade — é o que concluíram muitos e muitas, vencidos pelos preconceitos e pelas ideias falsas—não é para nós: seria presunção, jactância, falta de equilíbrio, desordem, fanatismo. E declararam-se vencidos antes de terem começado a batalha.
Quereria poder gritar ao ouvido de muitos cristãos: Agnosce, Christiane, dignitatem tuam («toma consciência, ó cristão, da tua dignidade»). Ouve-me, amigo: deixa que a tua inteligência se abra serenamente, livre de preconceitos. A vocação cristã é vocação de santidade. Os cristãos — todos, sem distinção — são, segundo a palavra de São Pedro, gens sancta, genus electum, regale sacerdotium, populus acquisitionis, («raça santa, estirpe de eleição, sacerdócio real, povo de conquista»). Os primeiros cristãos, conscientes da sua dignidade, chamavam-se entre si com o nome de santos.
Quando perderás este medo à santidade? Quando te convencerás de que o Senhor te quer santo? Qualquer que seja a tua condição, a tua idade, as tuas forças, e a tua posição social, se és cristão, o Senhor quer-te santo. Estote perfecti sicut et Pater vester coelestis perfectus est («sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai dos céus»). Jesus dirigiu estas palavras a todos, e a todos propôs a mesma meta. São diversos os caminhos, porque «na casa do meu Pai há muitas mansões» (in domo Patris mei mansiones multae sunt), mas a meta, o fim, é idêntico e comum a todos: a santidade.
Como nos alvores da cristandade, também hoje, depois de dois mil anos de Cristianismo, nós, cristãos, devemos formar um só coração e uma só alma nesta aspiração à santidade e nesta convicção profunda: Multitudo credentium erat cor unum et anima una. («A multidão dos fiéis tinha um só coração e uma só alma»). É a mesma convicção, firme e luminosa, que animava as palavras de São Paulo, dirigidas a todos os fiéis: Haec est voluntas Dei: sanctificatio vestraesta é a vontade de Deus, a vossa santificação»). Quantos títulos para se reclamar e exigir de ti esta santidade! O Batismo, que nos fez filhos de Deus e herdeiros da sua glória; o Crisma, que nos confirmou como soldados de Cristo; a Santíssima Eucaristia; em que se nos dá o próprio Senhor; o sacramento da Penitência e o do Matrimônio, se o recebemos. São chamadas, meu amigo, chamadas à santidade. Escuta-as.
Eliminados os preconceitos, inundada a mente de novas luzes, é fácil agora formular um propósito: fazermos do problema da santidade um problema muito pessoal, muito concreto e muito nosso. Deus nosso Senhor — estamos íntima e profundamente convencidos disso — quer-nos santos porque somos cristãos. Levantemos para Deus o olhar, o coração, a vontade. Quae sursum sunt sapite, quae sursum sunt quaerite: («Saboreai o que é elevado, procurai o que é elevado»); a dignidade cristã abre-nos agora os horizontes rasgados e serenos. Respiramos profundamente os ares que sopram destas lonjuras abertas, e são ares que renovam a nossa juventude, como se renova — está dito na Escritura — a juventude da águia: Renovabitur ut aquilae juventus tua. («Renovar-se-á a tua juventude como a da águia»).
Agora compreendemos finalmente como são ocas as nossas ideias mesquinhas, e detestamo-las. E deploramos o tempo perdido e os nossos vãos temores. Já não temos qualquer medo da santidade e reconhecemos finalmente que frequentes vezes os nossos corações —como escreve o Salmista— ibi trepidaverunt timore ubi non erat timor («amedrontaram-se quando não havia razão para temer»). Confiemo-nos à proteção da Virgem Maria, que é Regina sanctorum omnium, («Rainha de todos os santos»), e Sedes Sapientiae, («Sede de Sabedoria»), para que a ideia da santidade seja nas vossas vidas cada dia mais clara, mais forte e mais concreta.


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ÍNDICE

Jesus, o Amigo
A Nossa Vocação Cristã,
Um Ideal Para a Vida
Vida Interior
Guarda do Coração
O Caminho Real
Da Esperança Cristã
Humildade
Mansidão
As Humilhações
O Itinerário do Orgulho
Celibato e Castidade
Verdadeiras e Falsas Virtudes
A Serenidade
A «Crítica»
Tentações
A Imaginação
Exame de Consciência
Na Presença do Pai
O Pão da Vida
Eis Que Estou Convosco Todos os Dias
A Morte e a Vida
A Correção Fraterna
O Perigo das Coisas Boas
O Joio e o Trigo
Na Luz de Belém




__________
OBS.: Agradeço ao leitor Felipe pelo envio do arquivo deste livro. Que Nossa Senhora lhe retribua imensamente!

4 comentários:

Unknown disse...

Sugestão: Busquem mais livros do Salvatore Canals. Conviveu diretamente com o Santo fundador do Opus Dei, São Josémaria Escrivá, e tem uma obra de uma profundidade espiritual única.

CrisTan disse...

O difícil é achar em Português....
Mas se encontrar certamente postarei aqui,

Saudações!

Anônimo disse...

Me mandem este livro, por favor?
Meu nome é Victor e meu e-mail é: vitao_cbc@hotmail.com

Desde já, agradecido.

CrisTan disse...

Salve Maria, Victor!

Para obter este arquivo basta clicar no título/link azul da postagem e salvar em seu computador.

Saudações!

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Assim dizia São Maximiliano Kolbe:

"De muito boa vontade oferecemos leituras gratuitas a todos aqueles que não possam oferecer nada para esta obra, mesmo privando-se um pouco."

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