18 de dezembro de 2016

Especial de Natal


Pe Mateo Crawley-Boevey, SS. CC.
Edição de 1956 - 365 págs



Trecho do Livro

POR ELE, COM ELE, NELE
Para que se compreenda bem a imponente majestade da Missa, evocarei agora, cheio de emoção, um gesto do celebrante que resume admiravelmente todo o ideal de glorificação da Trindade pelo admirável Pontífice e Mediador da Santa Missa. Parece-me que nesse momento, mil vezes sublime, os nove coros dos Anjos, toda a assembleia dos Santos, e o Purgatório, circundando de perto o celebrante, bebem suas palavras e ficam suspensos a seus gestos, impregnados de divina majestade.

Pouco depois da consagração, o sacerdote, tendo na mão direita a Hóstia divina, traça com Ela cinco cruzes sobre o Priciosíssimo Sangue, dizendo: "Por Ele, com Ele e n'Ele, a Ti, Deus Pai Onipotente, na unidade do Espírito Santo, damos toda honra e glória!" e, com essas palavras, eleva ao Céu a Hóstia e o Cálice juntos.
Sublinhemos com ardor a grandeza inexprimível desse gesto, divino entre todos...
O próprio genial São Paulo, descendo do terceiro Céu, teria tido a eloquência necessária para explicar-nos toda a majestade dessa fórmula litúrgica, de infinita riqueza de significado?
Por Ele, o Homem-Deus de Belém, do Tabor e do Calvário, realmente presente nas mãos do padre, tal como estava presente nas mãos de Sua Mãe Santíssima...
Com Ele, o Homem-Deus crucificado, morto e ressuscitado... que subiu aos céus e está sentado, como Deus à direita do Pai, e a quem o Pai conferiu todo poder no céu e na terra...
N'Ele, o Homem-Deus, por Quem e para Quem tudo foi criado, que foi constituído Rei imortal, e que virá sobre as nuvens do céu, como Juiz, a julgar os vivos e os mortos...
Sim: por Ele, com Ele e n'Ele, glória infinita à Trindade adorável e augusta!
Se neste momento lhe fora milagrosamente revelado, em clarão divino, toda a significação desse gesto, morreria o celebrante, não de temor, porém de emoção e júbilo!
Somente à Virgem-Mãe coube o insigne privilégio de antecipar-se ao padre, mediante a oblação por Ela feita do Filho ao Pai, em Belém, no templo de Jerusalém, e no Calvário.
Não é, pois, exato ser a Santa Missa o hino oficial de glória, único digno da Trindade augusta?
E nessa ordem de ideias, saboreemos deliciosamente a magnífica estrofe desse hino, pelo próprio Cristo ensinando aos apóstolos, e tal como Ele o canta no Altar, pela voz e liturgia da Igreja: "Pai nosso que estais no céu... Pai santificado seja o Vosso nome!... Pai, venha a nós o Vosso reino!... Pai, seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no céu!..."
Consideremos que o orante que assim reza é o próprio Verbo Encarnado, o Filho de Deus e de Maria Santíssima, que no Altar exalta a glória d'Aquele que é Seu Pai e nosso Pai!
Podemos pois afirmar que a criação do Universo, tirado do nada, é apenas pálida centelha de glória, quando comparada à glória que Jesus, Grão-Sacerdote, rende no Altar às Três Pessoas da Trindade augusta.
E agora, fixos o olhar e o coração no Gólgota do Altar, façamos uma audaciosa hipótese, legítima e verossímil criação de nossa fantasia... o próprio Senhor a utilizou para pintar os inimitáveis quadros de Seus discursos figurados e de Suas incomparáveis parábolas.
Suponhamos que, desde os tempos dos imperadores romanos Augusto e Tibério, já tivessem sido descobertos e vulgarizados os maravilhosos aparelhos de televisão, com aperfeiçoamento ainda maior que os de hoje. (Como atualmente, diria o Pe. Mateo). E suponhamos que César, informado por seus agentes acerca da emoção produzida na Palestina pela prédica de Jesus, e sobre a resolução do Sinédrio de fazê-Lo morrer, houvesse ordenado a Pilatos o envio a Roma, juntamente com os autos do processo, de um filme do drama da crucifixão do pretenso Rei dos Judeus.
Qual não seria nossa indizível emoção se esse filme sonoro-visual, reprodução exata, fotográfica, do deicídio da Sexta feira Santa, nos fosse exibido nas igrejas, antes do Santo Sacrifício da Missa! Tal filme seria uma visão autêntica, de ordem natural e científica, do divino drama da nossos altares. Ele nos permitiria ouvir as sete palavras de Jesus, e também as blasfêmias pronunciadas pelos inimigos diante da vítima adorável. Veríamos com os próprios olhos o que viram as três testemunhas fiéis, Maria, João e Madalena, desde o meio-dia até as três horas da tarde.
Pois bem: infinitamente maior do que tudo isto é a maravilhosa realidade que, através do fino e transparente véu, nos mostra a Fé, incapaz de nos enganar, quando, bem instruídos e piedosos, assistimos ao Santo Sacrifício! o filme teria apresentado um fato passado, tal como o santo sudário de Turim, ao passo que a Santa Missa nos oferece uma realidade atual e presente!
Essa mesma Missa, renovada, reproduzida, prolongada, através do tempo, constitui essencialmente nossa Missa quotidiana... Mais uma vez insistimos: não se trata de um belo símbolo religioso, ou de um filme admirável tirado, digamos, pelos Anjos: trata-se da admirável e divina realidade do Calvário, exatamente reproduzida no Altar, exceto a dor e o derramamento de sangue, pois a Vítima eucarística é hoje impassível, porque gloriosa.
É nesses princípios que se baseia o Concílio de Trento ao declarar que o Santo Sacrifício realiza, antes de tudo, uma obra de estrita justiça, resgatando as nossas faltas com o "Sangue do Cordeiro que apaga os pecados do mundo".
É fato verificado, de ordem sobrenatural, que o Santo Sacrifício nos salva, aplacando a Justiça divina quando oferece, no Cálice, o preço já oferecido no Calvário. Sem tal resgate - único adequado - não teriam remissão os nossos delitos. Felizmente para nós, porém, Jesus morreu exclamando: "Pai, perdoa-lhes!"
Uma vez consumada a obra de rigorosa justiça, irrompe a misericórdia como sol fulgurante. Firma-se a reconciliação entre o céu e a terra revoltada... Deus, porém, exige a constante aplicação do Sangue redentor às cicatrizes de nossas almas pecadoras, o qual, derramado outrora no Calvário, enche agora o Cálice do Santo Sacrifício!
É de toda conveniência salientar com nitidez a diferença entre o Gólgota de Jerusalém e o Calvário de nossos Altares. Este é um Tabor glorioso, embora sempre purpureado de um sangue adorável... Digo, "glorioso" pois a Vítima que se imola é o Homem-Deus ressuscitado, vencedor da morte na madrugada do Domingo de Páscoa.
Ao mesmo tempo que Tabor, o Altar é também legítimo Calvário, radioso porque revestido dos esplendores da Ressurreição.
Ah! se não existisse o véu discreto do Mistério, nem mesmo o Santo Cura d'Ars teria ousado celebrar o Santo Sacrifício... e Santa Teresinha de Lisieux teria hesitado em aproximar-se da Mesa Santa, de tal modo a glória do Senhor ofusca, aos olhos dos Anjos, o celebrante e os fiéis. Assim, graças a penumbra do Mistério, torna-se o Altar acessível, e até convidativo, embora esteja muito mais perto do Céu que o próprio Sinai.
Assim compreendida, a oração oficial do Cristo Mediador durante a Missa é a única que tem o poder de atravessar as nuvens, indo atingir e empolgar o Coração do Pai... Esta súplica é verdadeiramente uma onipotência, pois que jorra do próprio Coração de Jesus, Mediador todo-poderoso. É Ele mesmo quem no-lo declara: "O Pai me ouve sempre!" Quando Ele reza, Ele ordena. Sua palavra realiza o que pede, pois Ele é Deus! Eis porque nossa primeira oração espontânea, nas visitas ao Santíssimo Sacramento, na adoração eucarística ou quando fazemos adoração noturna no lar, e sobretudo quando assistimos ao Santo Sacrifício, deveria ser sempre o "Cânon" da Missa, fórmula litúrgica mil vezes sagrada e venerável, por seu conteúdo dogmático e por sua antiguidade. Poderíamos desta forma unir-nos, em todas as horas do dia e da noite, aos milhares de celebrantes que elevam, como rutilante arco-íris, a Hóstia e o Cálice... E por meio deste tão simples impulso do coração, realizaríamos esplendidamente o "Glória a Deus nas alturas" dos Anjos, na noite de Natal.
__________
~ * ~

ÍNDICE



Carta de S. S. o Papa Pio XII ao Padre Mateo Crawley, por ocasião de suas bodas de Ouro Sacerdotais


Dedicatória a todos os Apóstolos do Reinado Social do Coração de Jesus na Espanha e América do Sul

Introdução

A ENTRONIZAÇÃO
Em que consiste

Importância
A prática
Fatos vividos
Carta de S. S. o Papa Bento XV
Os Zeladores preparam a Entronização
A Entronização, Caminho da Graça
A Leitura do Evangelho
Carta de S. Em. o Cardeal L. Billot, S. J.

TEOLOGIA DO CORAÇÃO DE JESUS
Cap. I - Doutrina e Teologia do Coração de Jesus
Cap. II - A Revelação a Santa Margarida Maria
Cap. III - A Entronização do Sagrado Coração de Jesus no lar

RETIRO DE APÓSTOLOS
Prática de abertura
Conferência I. Vida de Fé
Conferência II. Grande espírito de Fé
Conferência II. Vida de Anjos
Conferência IV. Amor confiante
Conferência V. Humildade, simplicidade e abandono no amor
Conferência VI. Abandono
Conferência VII. A Santidade
Conferência VIII. Ainda a Santidade
Conferência IX. Imolação de amor
Conferência X. Jesus no Evangelho
Conferência XI. Jesus na Eucaristia
Conferência XII. Apostolado
Conferência XIII. Espírito de apostolado
Conferência XIV. Reparação
Conferência XV. Maria, Mãe do Belo Amor
Conferência XVI. O Primeiro Ministro do Rei de Amor

REINADO SOCIAL DO REI DE AMOR
A Doutrina e a Festa da Realeza de Nosso Senhor
em relação à Cruzada da Entronização

O SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA
Introdução
O Sacrifício
Por Ele, com Ele, n’Ele
A Santa Comunhão
O Cálice de Salvação
Saibamos amar!
O Paráclito
Conselhos práticos
A Santíssima Trindade

BETÂNIA — SACRÁRIO
A Adoração noturna no lar
Semente  Arbusto  Arvore frondosa
O Mestre adorável pede consolo!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Qualquer quantia tem grande valor

http://alexandriacatolica.blogspot.com.br/2015/12/qualquer-quantia-tem-grande-valor.html

O SANTO DE AUSCHWITZ

Assim dizia São Maximiliano Kolbe:

"De muito boa vontade oferecemos leituras gratuitas a todos aqueles que não possam oferecer nada para esta obra, mesmo privando-se um pouco."

O que é ser um Benfeitor do Blog?

O que é ser um Benfeitor do Blog?
Clique na Imagem

Agradeço aos amigos virtuais pelo selo

Agradeço aos amigos virtuais pelo selo