31 dezembro, 2020

Preciosos pensamentos para cada dia do ano

Frei Pedro Sinzig, O.F. M.
Edição de 1921 - 496 págs



DUAS PALAVRAS

«Eu meditar?!»

«E porque não? Meditar é conversar com Deus, é refletir sobre as verdades da Santa Religião, é conhecer-se mais a si mesmo, é tomar boas resoluções, é antecipar a ocupação celestial, e isto te poderá ser alheio?»

«Mas é costume só de clérigos e religiosos. »

«De fato, é costume, porque os sacerdotes e os religiosos prezam realmente a garantia de sua salvação eterna e seu progresso espiritual. Se, porém, eles, afastados dos perigos do mundo, julgam necessária a meditação, quanto mais indispensável se torna ela aos seculares, tão expostos ao esquecimento dos deveres cristãos!

«Mas não é uso fazer meditações. »

«Sim, não é uso geral. Quem estranhará isto? Não disse Jesus: “Muitos são chamados, mas poucos serão escolhidos”? Quem seguir as máximas e os costumes do mundo, verá um dia, com grande susto, que não caminhou no trilho estreito que leva ao céu, e sim na estrada larga que desemboca na eterna perdição.»

«A meditação parece coisa dispensável. »

«Pelo contrário. O céu não é fruto que por si caia na boca de quem o quer. Para empregar séria e constantemente os meios de salvação da alma, é preciso muita e muita reflexão, que faça compenetrar-se da indiscutível verdade: Só uma coisa é necessária! »

«Ainda que quisesse meditar, falta-me tempo. »

«É sério? Deus acaso foi injusto contigo, não te concedendo o tempo para te salvares? Oxalá que francamente confessasses que só para a meditação e outras obras de piedade te falta tempo; que este não falta para o descanso, o recreio, a diversão, a satisfação da própria vontade e, às vezes, o pecado. Ninguém te pede negligenciar trabalhos e obrigações; antes, a meditação, ainda que feita só por minutos, te fará ser mais pontual no cumprimento de todos os deveres.»

«Mas não posso; falta-me a prática, ocorrem-me mil distrações. »

«Deus exigirá de ti o que não podes? Ao filho amoroso não custa pensar no pai, e tu serias incapaz de conversar com Deus? Pensar em seus benefícios, na encarnação, vida e morte de Jesus? Nos últimos momentos que te esperam: morte, juízo, inferno ou céu? – Não te assustem as distrações. O demônio não se oporia ao que te traz vantagens inestimáveis?… Para que Deus te ajude e conforma-te com sua santa vontade, quer te deixe saborear as doçuras de sua presença, quer te prove por aparente desamparo.

«E como poderei meditar?»

«Se não preferes outro método, poderá servir-te o seguinte:

 

1. A Preparação
a) Põe-te vivamente na presença de Deus, teu Criador e Pai, Salvador e Juiz.
b) Invoca com humildade e fervor o Espírito Santo.
c) Faze atentamente a respectiva leitura.

2. A Meditação

a) Procura afundar-te nas verdades apresentadas, conhece o que te falta, e compara o seu proceder com o de Jesus e dos Santos.
b) Afetos salutares serão a consequência natural do precedente exercício; arrepende-te do passado, aspira a esta ou àquela virtude, aumenta o justificado receio do inferno, o desejo do céu e a confiança na divina misericórdia. É útil te demorares nesses afetos.
c) Faze poucos, mas bem determinados propósitos.

3. A Conclusão

a) Agradece a Deus, que se dignou falar a teu coração.
b) Oferece-lhe tua vida, corpo e alma.
c) Pede seu auxílio para executares os propósitos e implora a intercessão de Nossa Senhora, do Anjo da Guarda e dos Santos.

«Achas difícil tudo isto? Experimenta; a prática te ensinará. Um ignorante, dotado de boa vontade, conseguirá fazer meditações mais úteis do que os instruídos que em si mesmos confiarem.

Medita, e viverás! »

~*~

As meditações deste livrinho não são todas minhas. Servi-me, entre outras, das meditações de Nicolau Avancino, S. J., de M. Hamon e dos “Gedanken und Ratschläge” de A. Doss., S. J., dando-lhes a forma que julguei conveniente adotar. Esforcei-me para reunir nas poucas linhas de cada meditação os pensamentos precisos para que não falte assunto a uma reflexão de 20 – 30 minutos e que a mesma meditação convenientemente desenvolvida, possa servir também para singelas práticas.

Faço votos para que este modesto opúsculo não seja de todo inútil, até que por outros, mais competentes que eu, forem publicadas meditações que mais correspondem à beleza e grandeza de nossa Santa Religião.

Petrópolis, 2-11-909; 15-VIII-911; 24-v-917 e 16-III-921

Frei Pedro Sinzig, O.F.M.

Um comentário:

Dricamorais disse...

Muito bom este livro, recomendo a todos os cristãos

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